Lembranças De Um Luau.

 

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Imagem retirada do We Heart It.

As ondas chocavam-se nas rochas do Arquipélago de Fernando de Noronha. O lugar era uma aquarela, pintada de azul e com respingos verdes. Famílias chegavam para passar as férias no local, crianças construíam castelinhos de areia e pássaros apostavam corrida com o vento.

 No saguão do hotel, entravam  duas famílias, de cidades diferentes, acompanhados dos funcionários .

 Enquanto todos aguardavam o atendimento, o momento passou em câmera lenta para dois adolescentes: ocorreu uma intensa troca de olhares entre uma menina com cachos dourados, de altura média, e um garoto com feições felinas, olhos frios e de alta estatura.

 Era quase tangível a conexão que os jovens estabeleceram assim que seus olhares se conectaram. Pareciam conversar através de mensagens transportadas pelas íris. Um encontro entre o castanho esverdeado da garota e o azul intenso do rapaz.

— Angelina, me ajude a levar nossas malas para o quarto 12. — disse a mãe da garota, tornando a olhar para a filha e se deparando com a expressão dispersa que essa carregava no rosto.

— Hã… Claro, mãe. — murmurou Angelina, relutante ao desviar o olhar.

 As duas logo se juntaram ao pai e seguiram para o quarto 12.

 O jovem passou a mão pelos cabelos em uma tentativa de voltar para a realidade. Viu-se tentado a resolver o mistério que os olhos dela provocaram. E se empenharia ao máximo para conhecer melhor a garota de olhos esverdeados.

— Thomas, pega logo o seu violão e arruma suas coisas lá no quarto 13. Vamos ficar lá — disse o pai dele enquanto assinava uns papéis.

 Thomas assentiu e subiu. Enquanto fazia o seu caminho por escadas douradas, pensou no que tinha conseguido escutar: ficaria vizinho ao quarto de Angelina.

 Quando a noite chegou, o luau organizado pelo hotel deu início. O evento acontecia todas as noites e trazia artistas para tocarem em um palco montado na areia. O perfume de flores misturado com o frescor da água preenchia o ambiente que possuía uma decoração semelhante a festas havaianas com vista para o mar.

 O local era repleto de jovens que dançavam, cantavam e riam. No meio deles, foi fácil para Thomas encontrar a menina de cabelos dourados que ocupava sua mente. Essa avistou os emaranhados de fios negros brilhantes e reconheceu o menino que vira no saguão.

 Uma melodia suave, marcada por uma leveza que só aquela canção possuía fez com que em um convite silencioso, por meio de olhares trocados, Thomas se aproximasse confiante.

— Oi, é Angelina o seu nome né?! — perguntou com um sorriso brilhante nos lábios.

— Isso! – respondeu Angelina um pouco nervosa e ansiosa — E qual é o seu?

— Thomas, aparentemente o seu vizinho de quarto — ele disse em um tom divertido.

— A senhorita aceitaria uma dança? — perguntou fazendo uma reverência.

 Angelina achou divertido o tom formal dele e deixou escapar uma risada abafada, sem deixar de admirar o sorrisinho confiante que o menino tinha. Retribuiu a reverencia segurando o vestido.

 O sorriso de Thomas se alargou. Ele colocou a mão na cintura da menina. Em um gesto involuntário, a garota suspirou com o toque. Enquanto diminuía a distância entre eles, colocando os braços no pescoço do garoto.

 Ela levantou um pouco a cabeça a fim de encontrar seus olhos felinos. Viu-se então, imersa em um mar reconfortante. Logo tornou a baixar a cabeça quando percebeu que tinha se perdido no olhar do menino mais uma vez, e ficou envergonhada com esse pensamento.

  Thomas envolveu a garota em um abraço firme e começou a se mover de acordo com a música, conduzindo ela. Angelina descansou a cabeça um pouco abaixo da curvatura do pescoço dele, enquanto inalava o perfume cítrico do rapaz com quem dançava sem habilidades.

 A brisa gélida conduziu o casal em uma dança, onde eles engataram em uma conversa que parecia fluir na maior facilidade, movida pela necessidade de se conhecer melhor.

 Angelina descobriu que o artista favorito de Thomas era Jack Johnson, que ele teve muita facilidade para aprender a tocar violão e tocava desde pequeno. Ele tinha 17 anos, apenas um ano mais velho que ela.

 Já o garoto ficou surpreendido ao saber que os dois eram fãs das obras da Agatha Christie. E mais encantado quando soube que a menina de aparência angelical que adorava filmes e séries de investigação criminal, também era fascinada por poesia e música.

— Não brinca?!  Você é a garota dos sonhos! — brincou Thomas — Ninguém pode ser tão perfeita assim, tão fofa!

— Você tá exagerando — falou Angelina envergonhada, mas sorrindo.

 Quem era o garoto dos sonhos era ele! Dos sonhos dela, mais especificamente.  Parecia ter juntado todas as características dos personagens de seus livros favoritos e colocado em um menino apaixonante e engraçado.

— Sério! Antes que eu me apaixone, você não é uma Barbie-Sereia programada para encantar pobres jovens, é?! — Continuou Thomas em seu típico tom divertido

— Só se você me disser que não é um personagem de um livro de romance — Angelina entrou na brincadeira, mas sentia que tinha grandes revelações nas palavras de ambos.

— Poxa! Tudo bem. Você me pegou! — falou Thomas em gesto de rendição.

— Descobriu meu segredo. Agora vou ter que voltar para o meu livro de romance.  Mas será que posso levar a Barbie-Sereia junto?! — acrescentou Thomas, com uma carinha de cachorro sem dono, piscando os grandes olhos azuis para a garota.

 Angelina começou a rir bastante da cena feita pelo garoto. Thomas só de olhar o sorriso e o brilho dos olhos dela, foi contagiado e ria também. Admirando o raio de sol que era o sorriso da menina.

******

 Os jovens se tornaram inseparáveis nessas duas semanas. Enquanto o céu queimava em um tom alaranjado e a lua tomava o seu lugar, o luau passara a ser o ponto de encontro deles. Onde ficavam horas na areia assistindo á apresentações, conversando e sorrindo. Thomas tocava para Angelina e adorava escutar sua voz quando ela conhecia a letra da música.

 Era uma noite fria quando a lua desceu para fazer companhia à água cristalina, sendo possível enxergar o seu reflexo: Um ponto de luz rechonchudo. As estrelas resolveram aparecer para assistir os casais que estavam na areia gelada da praia em frente ao hotel.

— Vem, Angel!  Eu falei com o pessoal do hotel e eles me deixaram tocar uma música hoje. — Convidou Thomas, empolgado.

 A jovem o acompanhou, sentando de frente ao palco e escutando as primeiras melodias vindas do violão caramelo dele. Angel era um apelido que Thomas deu para Angelina. Ela adorava quando ele a chamava assim, sentia uma sensação reconfortante dentro de si.

Ele começou a cantar com uma voz suave, um pouco afinada, enquanto mantinha os olhos em Angel. Esperando que ela absorvesse cada palavra da canção, Angel de Jack Johnson. (N.A: coloquem a música para tocar)

“I’ve got an angel/ She doesn’t wear any wings/ She wears a heart/ That could melt my own

She wears a smile/ That could make me wanna sing/ She gives me presentes/ With her presence alone/ She gives me everything/ I could wish for ”

(Eu tenho um anjo/ Ela não usa nenhuma asa/ Ela usa um coração/ Que pode derreter o meu/ Ela usa um sorriso/  Que me faz querer cantar/ Ela me dá presentes/ Só com a sua presença/ Ela me da tudo que/ Eu poderia desejar)

“But you’re so busy/ Changing the world/ Just one smile/ Can change all of mine/ We share the same soul”

(Mas você está tão ocupada/ mudando o mundo/ Só um sorriso/ pode mudar todo o meu /Nós dividimos a mesma alma)

Quando terminou de cantar, agradeceu aos aplausos, largou o violão e se aproximou de sua Angel

—Me sinto muito feliz só de ter a oportunidade de ter conhecido você, Angel. — Disse ele diminuindo o tom de voz á medida que se aproximava do rosto da garota. — Obrigada por me fazer sentir desse jeito

Angelina sentiu que vagalumes brilhavam fortemente dentro de si, e esse brilho era transmitido em seu olhar. Um sorriso frouxo logo se fechou quando os lábios deles se encontraram e as estrelas começaram a brilhar mais forte do que nunca ao seu redor.

— Eu que tenho que agradecer! — sussurrou Angelina logo após o beijo.

 A menina encontrou, brilhando em cristais ligeiramente azulados, o olhar do garoto. Onde perdeu alguns segundos observando e memorizando os nuances de azul. Tentando fixar em sua mente de cada detalhe.

 Eles sentiam um turbilhão de emoções. Grossas gotas salgadas trilharam um caminho sinuoso na bochecha de Angelina, como o percurso do rio.  Ela só queria acreditar que eles ficariam juntos. Mas a realidade acabou interrompendo.

Contudo, valeu a pena todos os momentos vividos no arquipélago com ele. Pois, possuía um lugar especial no coração para guardar essas lembranças. Os dois irão sempre fazer parte da vida um do outro, nas memórias das melhores férias de verão que tiveram. Na memória de um luau, uma noite de verão inesquecível.


N.A/Nota da Autora: Bem, eu trabalhei muito nesse conto no final do ano passado para que ele ficasse do jeito que eu tinha em mente. Reescrevi e mudei tanta coisa ao longo desse tempo. Até ficar com a versão final, um pouco mais curta para o blog. Tenho que agradecer a Letícia Mota pela revisão e pelos helps haha.  Espero que tenham lido e aproveitado. Comentem todas as opiniões!

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8 comentários em “Lembranças De Um Luau.

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