Antes de Sair, Tranque a Porta!

 Os meus olhos foram se acostumando com a escuridão total que preenchia o ambiente. Era como se estivesse viajando por um cenário desconhecido. Aos poucos as coisas foram se materializando em minha frente, como uma névoa que depois foi entrando em foco. Logo depois, uma grande porta de madeira com uma maçaneta dourada reluzia, instigando a minha curiosidade sobre o que encontraria, se a abrisse.

Sem pensar nas consequências, toquei na maçaneta, girei o pulso e escutei um rangido que com certeza vinha da porta. Dando visão a um bosque, onde o chão parecia um tabuleiro de xadrez, só faltavam as peças. Um som agudo me assustou e um vulto em cima de minha cabeça fez com que levantasse o braço e me jogasse no chão.

Quando olhei para o causador da minha queda, o medo arrepiou o meu corpo. Um corvo ensanguentado pousava em um galho de árvore encarava-me. Um olhar tão profundo que parecia estar analisando minha alma. Desviei o olhar do pássaro negro e foquei nos detalhes de minha roupa: um vestido cinza, manchado de sangue na região das mangas e na saia rasgada. Em um pulo, levantei-me e desesperada passei os olhos por toda a paisagem à procura de respostas.

Um silvo fez com que reparasse nas árvores. Essas pareciam rostos em pânico, gritando por socorro. Parecia que tinham assistido a uma cena horripilante. O silvo ficou mais claro para mim, era uma frase pairava no ar: “Tudo começou quando você abriu aquela porta; deixou os seus piores medos entrarem.” Essa frase ficou repetindo e repetindo em minha cabeça.

O meu pulso acelerava enquanto tentava encontrar uma saída. Entorpecida de medo, continuei a percorrer os olhos pelo local, mas parecia que só piorava; Encontrei uma poça de sangue. Um corpo jazia imóvel no chão; olhos cinzentos encaravam o além. Não sabia ao certo se procurava uma salvação ou se tinha desistido.

Aproximei- me do rosto familiar e escutei gritos de um homem implorando para não ser morto. Levei a mãos aos ouvidos, balancei a cabeça e apertei fortemente os olhos. Tentava de todas as formas fazer com que as lamúrias parassem.

Era como se estivesse assistindo a morte do rapaz, como se estivesse presente. Não pude fazer nada para mudar, não consegui salvá-lo.

Agora estava com os olhos abertos mas não conseguia enxergar nada. Um nevoeiro gélido cobria todo  o local.

Por um momento, estava observando uma mulher magra e pálida como suas vestes, esta parecia estar correndo da morte.

Quando deu de cara com um rapaz bonito, de olhos esverdeados, agarrou um grande pedaço de madeira e ameaçou acertá-lo.

No entanto, o rapaz continuou a se aproximar, falando o quanto a amava e pedia para ela parar de agir como uma louca.

Atordoada, a mulher começou a gritar. Em um gesto rápido, acertou a cabeça do jovem de olhos claros que implorara de joelhos. Este agora se encontrava caído e jorrando sangue pela cabeça. A senhorita de cabelos negros irrompeu em um choro ruidoso, ajoelhou-se ao lado do corpo e tentou fazer com que o sangue parasse de escorrer.

Olhei para a meu vestido, olhei para as minhas mãos… Foi então que percebi: eu era a menina. Eu tinha assassinado um rapaz que dizia que me amava!

— Você é um monstro!

Não merecia o amor do pobre rapaz!

Assassina! 

Vozes diferentes me martirizavam. Incentivando o furacão que se encontrara em minha cabeça, levando consigo o resto de sanidade que possuía. Disparei a chorar descontroladamente, puxei meus cabelos a fim de encontrar um alívio. Por fim, escutei uma única voz antes de o clarão invadir meus olhos.

— Tudo começou quando você abriu aquela porta; deixou os seus piores medos entrarem. Antes de sair, tranque a porta! 

Arquejei, sentei-me em um pulo e parei de chorar para perceber o que tinha acabado de acontecer. Um alívio percorreu meu corpo. Estava em minha cama, suando frio, com o coração acelerado, mas em casa.

Inspirei novamente me tranquilizando, estendi a mão buscando por um copo de água. Em um grito assustado, percebi a coloração estranha do líquido, derrubei o copo no chão. Este se partiu em pedaços e um líquido espesso que estava dentro dele fez uma poça. O cheiro forte impregnou o meu nariz e me fez continuar gritando. A coloração, a textura e o cheiro eram de meu conhecimento; o copo, inexplicavelmente, estava cheio de sangue!

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4 comentários em “Antes de Sair, Tranque a Porta!

  1. Menina do céu, quando ficar rica não se esquece de mim, tá? Amei o conto, só precisa explorar mais um pouquinho a história e as descrições, mas todas nós somos recentes nesse gênero, né? haha Posso nem falar de nada. Ficou tudo muito bom, acho que vou deixar uma luzinha ligada quando for dormir 😡 muito sucesso no blog e na vida, abraço!

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