É Real ?

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O vento chicoteava meu corpo, dando impulso para minha corrida desesperada em busca de liberdade. O caminho era desconhecido, escuro e cheio de árvores, mas não me impedia de continuar. Faria de tudo para sair daquele lugar, onde as pessoas não sonham, onde o mundo é cinza e sem esperanças. Não me lembro de como fui parar lá; tenho a vaga lembrança de ser taxada como louca e de alguns medicamentos em minha veia. Continuei correndo, esperando atingir a velocidade em que se encontrara meu coração, a fim de achar um caminho.

“Caminho. O que é o caminho? Ou melhor, qual é o caminho? Caminho para onde?”

Essas perguntas giravam em minha cabeça, provocando uma tontura que me impediu de ver os galhos secos do outono no chão, fazendo com que eu tropecasse, caísse e saísse rolando pela floresta declinada, como um carro que capota. Porém, uma pedra interrompeu a queda, chocando-se com  a minha cabeça e reduzindo minha velocidade de cem por hora para zero, instantaneamente.

Escuto uma risada estridente, tentei abrir os olhos para ver o que tinha de tão engraçado. E depois de feito, me arrependi. Encontrava-me em uma floresta sombria e tinha uma luz branca vinda de cima. Pisquei algumas vezes tentando enxergar melhor, mas não adiantou. Depois de tanto tentar, vi um sorriso um tanto assustador como a gargalhada. A lua era um sorriso ou o sorriso era a lua. Não consegui entender. Enquanto isso, o sorriso perguntava meu nome e para onde eu estava indo com tanta pressa. Tentei abrir a boca para falar alguma coisa, mas não tinha palavras para serem ditas. Eu não sabia responder nenhuma dessas perguntas.

“Como vim parar aqui? Onde estou?” — Perguntei desesperada, a fim de sair dessa confusão.

A lua sorridente deu uma gargalhada. ” Não temos tempo para perguntas tão bobas, escolha um caminho e descubra por si só” — Disse ela, voltando a gargalhar de maneira assustadora.

Assim que ela acabou de falar, eu reparei em um caminho bifurcado com plaquinhas escrita: “esquerda” e “direta”. Bem, agora a escolha é minha. Pensei qual caminho seria mais seguro para seguir, qual seria rápido. Inicialmente, eles pareciam completamente iguais. A única diferença que notei, depois de alguns minutos, foram as vozes vindo de cada um. Na verdade eram musicais… Uma melodia de violoncelo triste foi se tornando esperançosa no caminho da esquerda, despertando minha curiosidade; no caminho da direita o começo era alegre, mas não durou muito e foi entrando em conflito, acelerando cada vez mais, chegando ao ápice da música até que para de tocar.

” É hora de escolher como enfrentar o mundo, com um começo difícil e um final feliz duradouro ou uma feliciade passageira e um fim turbulento, porém rápido” — Disse a lua, com uma voz mais séria e sem a risada debochada.

Infelizmente, em nenhum dos caminhos eu encontraria uma melodia perfeita e sem dor. Optei pelo lado esquerdo, criei coragem e comecei a andar. Tinha coisas surpreendentes e assustadoras: cogumelos que dançavam no ritmo da música triste, flores que choravam e caules da árvores  que pareciam rostos gritando por socorro. Quis acabar logo com isso e achar a melodia esperançosa. Respirei fundo e corri. Era o que fazia de melhor, se aparecesse um problema, eu corria para acabar logo. E foi atravessando que consegui recordar alguns sentimentos, alguns flashes passavam em minha mente. Quando a música ficou mais leve e alegre, voltei a andar e tinha a respiração descompassada. Deparei-me com um intenso arco-íris, o final dele era perto de uma cachoeira de chocolate que formava um lago doce e espesso. Era tudo colorido, tinha flore que dançavam em harmonia, tudo tão calmo e aconchegantes. Que lugar maravihoso! Não quero sair daqui mais nunca. Continuei explorando o lugar e encontrei um relógio de bolso bem antigo, dourado e um pouco sujo de terra, no entanto ele não tinha ponteiros e consequentemente não marcava o tempo. Então, tuo passou rápido como um flash; Senti que as notas aceleravam e escutei uma voz falando que estava atrasada. E de repente tudo foi voltando, girando em sentido anti-horário…

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Quando tentei piscar, uma luz branca dificultou minha visão e quando me acostumei, percebi que estava em um quarto completamente branco. Um homem segurava uma prancheta e conversava com uma mulher, falando que eu estava voltando de um coma profundo, mas que logo estaria bem. Eu entrei em coma? Enquanto meu cérebro trabalhava para ligar os pontos, vinham imagens de um lugar maravilhosamente mágico, fora do padrão. Não aconteceu de verdade, era só imaginação. Uma forma de escapara dos problemas. Logo uma risada familiar preencheu o cômodo e meu coração de medo.

Era sim, real. 

O que achou do conto? Ele fez você refletir em algum aspecto?

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4 comentários em “É Real ?

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